No artigo anterior referi as 6 razões pelas quais as pessoas não conseguem atingir os seus objetivos. O foco do artigo de hoje tem haver com objetivos mais desafiadores e que exigem uma dedicação extra para se tornarem realidade.

É natural, que cada um de nós, tenha vontade de criar algo que venha a crescer e a dar os seus frutos. Esse algo pode ser a criação de uma empresa relacionada com a sua área de formação, abrir um pequeno negócio, desenvolver um projeto de apoio social, mudar de carreira profissional, etc.

 

Tomar a decisão!

Há uma frase do Tony Robbins que eu particularmente gosto: ”É em momentos de decisão que o nosso destino é traçado”.  Qualquer mudança na sua vida começa com uma decisão, quer esteja você consciente disso, ou não.

Você pode definir de forma concreta e objetiva aquilo que quer realizar. Pode ainda fazer um plano detalhado do passo-a-passo para o levar até ao seu objetivo. Contudo se você não toma uma decisão real de partir para ação, o seu objetivo simplesmente ficará no papel.

Tomar uma decisão é quando você se compromete verdadeiramente com aquilo que quer alcançar. Quando isso acontece, você está mentalmente e fisicamente envolvido e aumentará as suas possibilidades para fazer o que tiver de ser feito. É de realçar que na tomada de decisão a sua postura tende a se alterar e a sentir uma maior confiança.

Por outro lado, tomar uma decisão significa que terá de fazer escolhas e abdicar daquilo que o vai distrair e e que vai gastar a sua energia e foco.

 

Ação direcionada e constante

“Mais importante que a velocidade é a direção” (Clarice Lispector).

O que lhe vou dizer pode soar óbvio, mas tudo acontece quando agimos. É quando passamos da ideia para a prática. Contudo nem sempre é tão simples assim.

Então o que impede as pessoas de agir?

Obviamente todas as pessoas são diferentes umas das outras, e as circunstancias variam, contudo existem 5 razões que podem ser apontadas como as mais comuns:

 

Medo

O medo é talvez a principal razão pela qual as pessoas não seguem os seus objetivos maiores. Existe medo do desconhecido por não se saber o que vem a seguir. O que é certo é que quando não agimos por causa do medo, a situação tende agravar-se. O medo tende a ser retroalimentado pela nossas dúvidas, inseguranças e sobretudo por aquela vozinha que cada um carrega dentro de si.

Há que ter consciência que o medo é algo que é absolutamente natural e que toda a gente, em maior ou menor grau, tem medo. Este é um mecanismo que é importante para a nossa sobrevivência, caso contrário, não teríamos algo que nos impedisse de nos lançarmos abaixo de uma janela do 5º andar, não é verdade?

O problema surge quando nos deixamos dominar pelo medo e não avançamos em vez de fazermos aquilo que tem de ser feito e que nos leva ao nosso objetivo. Coragem não é ausência de medo, mas sim, agir mesmo que tenha medo.

As pessoas mais bem-sucedidas são pessoas que agem, independentemente do medo, porque se condicionaram a agir por mais medo que possa ter.

Há quem tenha mais medo de falar em público, do que até mesmo da própria morte. Isto significa que muitos dos nossos medos são infundados. Por isso o melhor antidoto é agir apesar do medo.

Desafio-o a refletir sobre a seguinte pergunta:

“O que você faria se não tivesse medo?”

 Desconforto

O desconforto é um fator que impede as pessoas de fazerem acontecer, embora seja um fator bem mais ligeiro que o medo.

Todo o ser humano possui algo que se chama de zona de conforto.
Imagine que existe em torno de você um circulo que corresponde à zona de conforto. Esta zona representa tudo o que você faz no seu dia-a-dia e que é natural e confortável e que não exige que você tenha de se arriscar ou fazer algo que o deixe desconfortável.

Enquanto você se mantiver nessa zona não crescerá.

Por exemplo se você está no mesmo emprego por anos a fio e não ousa sequer procurar outro apesar de não se sentir realizado com ele, é porque provavelmente está na sua zona de conforto

A zona de conforto varia de pessoa para pessoa.

 

Para além dessa zona de conforto, existe uma fronteira que separa a zona de conforto com a zona de crescimento: zona do terror.

É na zona do terror que nos sentimos ansiosos, com medo ou desconfortáveis quando tentamos fazer algo novo. Quando se entra nesta zona a tendência é ser impelido novamente para nossa zona de conforto. Quando isso acontece estamos a entrar num estado de estagnação que nos impede de buscar o novo e de nos expormos a novos desafios.

Contudo, quando persistimos, assumimos o risco e o desconforto tornamo-nos capazes de entrar numa zona chamada de zona de crescimento.

É nesta zona que a nossa vida verdadeiramente se eleva para outro patamar, nas diversas áreas da nossa vida. Isto faz-nos sentir verdadeiramente vivos, conseguir ter uma nova perspetiva sobre a vida, ter mais prazer e a melhoria das nossas competências. As pessoas bem-sucedidas, assumem os riscos e desafiam-se a tomar decisões que os façam estar desconfortáveis, porque sabem que é isso que os faz levar ao próximo nível.

Este desconforto é temporário, porque à medida que vamos crescendo e saindo da nossa zona de conforto, estaremos a habituar-nos a uma nova realidade. Por isso, a nossa zona de conforto crescerá, e mais tarde ou mais cedo, estaremos confortáveis novamente.

Por exemplo, um palestrante antes de se tornar um orador, com certeza tinha um grande desconforto ao falar perante um plateia por mais pequena que fosse. Contudo, após vencer essa barreira ficou mais confortável com isso e entrou na sua zona de conforto. Não ficando satisfeito tomou a decisão de passar para o próximo nível:fazer palestras maiores, para centenas de pessoas. Mesmo se sentido desconfortável, persistiu e à medida que fazia palestras cada vez maiores foi sedimentando a sua confiança até se sentir confortável em fazer palestras independentemente do número de pessoas.

Desafio-lhe com a seguinte questão:

“O que você pode fazer na sua vida atual para o levar para o próximo nível?”

 

Falta de força de vontade

A força de vontade é na verdade uma falácia. Imagine que você tem um depósito de combustível que enquanto tiver combustível o faz agir e fazer aquilo que você tem a fazer.

Normalmente, quando você necessita da força de vontade para fazer algo, é porque você está a fazer algo que não gosta ou está a faze-lo contrariado.

Todos nós, em algum momento precisamos de recorrer à força de vontade para fazer algo que não gostamos ou que não temos vontade nenhuma de fazer. Isto pressupõem que seja algo temporário e por um curto período, dependendo do tamanho desse depósito. Por exemplo, quando propôs como seu objetivo, fazer dieta para perder 5kg, durante 6 meses. Provavelmente poderá necessitar de uma quantidade generosa de força de vontade até ganhar o hábito de prosseguir com a sua dieta, ou de vencer a resistência inicial até que não seja necessário se esforçar para continuar a fazer a sua dieta, até alcançar o seu objetivo.

 

Então qual é a situação ideal?

A situação ideal é você agir motivado, porque só assim você conseguirá manter-se no trilho rumo ao seu objetivo. A motivação não exige de si um esforço consciente para fazer o que tem de ser feito.

Para agir de forma motivada, você deve ter em conta se os meios que escolheu para alcançar o seu objetivo são os mais adequados a si.

Por exemplo, talvez a dieta rígida não seja a melhor forma para você emagrecer, mas como você gosta de percorrer o parque que existe junto à sua casa, talvez a melhor abordagem seja combinar 45 minutos de corrida, 3 vezes por semana nesse local e fazer uma dieta ligeira, onde você restringe a quantidade de alguns alimentos.

Outra forma de ter motivação é estar presente de todos os benefícios e ganhos no caso de alcançar o seu objetivo, ou por outro lado, tomar consciência dos malefícios e perdas de não conseguir atingir o seu objetivo.

E por fim, quando você tem consciência do seu propósito de vida e decide alcançar objetivos alinhados com este propósito, a motivação é  nesta circunstância, naturalmente grande, uma vez que você está a caminhar na direção de algo que o entusiasma verdadeiramente e dá sentido à sua vida. Esta é a verdadeira motivação!

 

Perfecionismo

O perfecionismo assume-se como uma das formas menos obvias, mas que muitas vezes é a principal razão que o impede de alcançar o que você deseja. Isto acontece quando você acredita que falta ainda qualquer coisa para que tome a decisão de agir: fazer um curso, uma formação, adquirir uma ferramenta, ou que este não é o momento ideal, ou ainda você não está totalmente preparado, etc.

Na verdade, você nunca vai estar 100% preparado e nunca vai haver uma altura 100% perfeita para começar. Talvez o melhor momento seja agora.

Com isto não estou a dizer que alcançar um bom nível de qualidade não é importante, sem duvida que é. A questão é que existe muitas pessoas que carregam essa crença e não avançam por achar que não estão preparadas o suficiente, apesar de na realidade já possuírem formação necessária, meios suficientes e condições adequadas.

O essencial é começar, e estar atento aos seus resultados de forma a fazer os ajustes necessários para alcançar os seus objetivos. Além disso, é necessário assumir que o erro faz parte da aprendizagem.

Se fez um curso universitário, por mais alta que seja a sua nota, você não sai preparado de todo para o mundo de trabalho, não é verdade?! A sua preparação faz-se na prática.

Para terminar deixo algumas frases de impacto para motiva-lo no seu caminho rumos aos seus sonhos:

“Persista, se fosse fácil qualquer pessoa conseguiria!”

“Feito é melhor que perfeito”

“Não é melhor feito do que perfeito, é melhor feito do que não feito e que seja feito mais próximo do perfeito, porque o homem não pode criar o perfeito. (Bruno Duzi)

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